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Lua.

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Já passa da meia-noite, e a lua já está mesmo no cimo. Eu, aqui enrolado neste pequeno cobertor, sento-me à janela, a falar com a Lua, a brincar com o vento, e a sussurar com as estrelas... Todas elas brilham, parece que palpitam de alegria, estão radiantes, estão ainda mais radiantes que o Sol que se esconde por de trás das nuvens carregadas de água durante o dia, parecem que me querem dizer alguma coisa, mas só que estão mudas. A lua, olha para mim, e faz cara matreira.
- Então, Lua? 
Ela, sorrateira e um pouco medronha, respondeu baixinho:
- Eu sei como tens estado... 
- Eu tenho estado bem, penso eu. Não tenho? - Perguntei, desconfiado.
- Tens andado bem? Tens andado muito bem, até. Como é que ela se chama?
- Han? - Fiz-me de despercebido. - De que estás a falar?
- Pois, pois. Dela, aquela rapariga de cabelos longos e castanhos... 
- Que tem? Ela é de longe... Se tu soubesses o quão eu gostava de estar com ela, por um minuto que seja.
- E eu sei, ela também me tem dito o mesmo. Ainda ontem, mandou-te um beijo. Acho que ela merece ser tratada bem, e acho que estás a fazer um bom trabalho.
- Lua, não faço isto porque quero, faço isto porque faço, não é nada de obrigações. Ela transmite-me tanta confiança, e faz-me tão feliz mesmo estando longe...
- Ela não está longe, está sempre perto, no teu coração. - Interrompendo-me.
De repente, uma certa estrela bem longe, brilha de forma intensa, e aparenta dar um sinal.
- O que foi aquilo, Lua? Era uma estrela cadente? - Perguntei eu, assustado.
- Se achares que a tua amiga é uma estrela cadente...
- Han? Não percebi... Explica-te, porra.
- A tua colega de que estamos a falar, está neste momento à janela. Será coincidência?
- Oh, não acredito. - Toca o meu telemóvel.
- Olha Lua, por incrível que pareça, recebi uma mensagem dela, está-me a desejar uma boa noite, e que durma bem. Ela é realmente fantástica, e tu tinhas razão.
- Eu disse-te. Aprende a acreditar em mim, nunca minto. Ela neste momento, está a escrever o teu nome num papel. Foi uma estrela que anda lá por perto que me disse.
- Eu acredito, Lua. A sério? Não deve ser o meu, deve ser outro amigo dela, que tenha o mesmo nome que eu.
- Mais uma vez, estás a duvidar da minha palavra. Já não te disse para acreditares em mim?
- Sim, desculpa Lua. - Bocejei. - Oops, o sono já me ataca por completo, acho que vou descansar. Obrigado pelas palavras, Lua.
Agora, depois de brincar com o vento, de sussurrar com as estrelas e de falar com a Lua, só me resta deitar.
"Espero que durmas bem, és o melhor da minha vida. Amo-te com todas as letras, cheiros, cores e feitios. És única, e inesquecível.
Assinado: João.''
Depois de escrever isto, num papel, pedi à Lua para te entregar. Nunca te esqueças do que te digo.
Despedi-me da Lua e das estrelas, e fechei a janela. Deitei-me, desliguei tudo, e coloquei a cabeça sobre a almofada. A almofada recordava-me todos os cheiros, cores, e os teus mil e um feitios.
E sem querer... Adormeci.